sábado, 2 de abril de 2011

Programa Viver Leve - Aprendendo a lidar com as emoções que engordam

O  Viver leve - Aprendendo a lidar com as emoções que engordam é uma proposta de tratamento das causas emocionais que nos levam ao excesso de peso e aos maus hábitos alimentares. Sua abordagem é inovadora por trazer o foco do tratamento para a busca da leveza emocional acima da busca desenfreada do emagrecimento puramente estético.


No Viver leve - Aprendendo a lidar com as emoções que engordam, a psicoterapia e a hipnose ericksoniana são utilizadas para auxiliar a equilibrar e explorar as emoções dentro de um tratamento de redução de peso. Junto ao processo psicoterápico, os grupos terapêuticos desenvolvem atividades lúdicas e educativas, como por exemplo, o curso de culinária natural na Ecovila Pau Brasil em Pium e os grupos de meditação e hipnose naturalística no segundo sábado de cada mês.

Tel: (84) 3206.1765

A Lição da borboleta

Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo. Sentou-se perto do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo. Mas logo lhe pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso, como se tivesse feito todo o esforço possível e agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajuda-la: pegou uma tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pôde sair com toda a facilidade... mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas. 

O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria se firmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade a borboleta passou o restante de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar. 

O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo daquele pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim que se livrasse daquele invólucro. 

Algumas vezes o esforço é justamente aquilo de que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através da existência sem quaisquer obstáculos, Ele nos condenaria a uma vida atrofiada. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nunca poderíamos alçar vôo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Quem não quer Viver Leve?

O Viver Leve é uma terapia voltada para a integração, desenvolvimento e crescimento emocional. Sua metodologia alia psicoterapia às modernas técnicas da hipnoterapia ericksoniana.

O Viver Leve constitui um instrumento muito útil para o crescimento pessoal e para a compreensão dos relacionamentos interpessoais, pois revela os processos emocionais que estão na origem de nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos.

No Viver Leve, a psicoterapia é considerada como um processo de aprendizagem de novas formas de ver e sentir a vida, que vão além das paredes do consultório. Nosso objetivo principal é fazer um tratamento individualizado, centrado no amadurecimento emocional, na busca de novos prazeres e na qualidade de vida


            A Hipnoterapia Ericksoniana

No estado de transe hipnótico, o paciente volta conscientemente sua atenção para seu lado interno. Ele aprende a relaxar focando sua atenção nas sensações do seu corpo, nas suas percepções e na sua respiração.

Orientado pelo terapeuta ele pode buscar dentro dele mesmo as causas inconscientes do seu comportamento atual. Durante a hipnose o paciente pode chegar a níveis muito altos de relaxamento e bem estar, aprendendo a reproduzir esse estado no seu dia a dia e buscando maneiras saudáveis de lidar com suas emoções.


                     Ronnie Petterson Soares
                                        CRP 17/1024


sábado, 26 de março de 2011

Olhos Fechados, Mente Aberta

A aprovação da Hipnose pelo conselho Federal de Medicina e a sua inclusão no currículo médico representam um avanço considerável para o tratamento de diversos males clínicos e psicológicos.

Texto: Lis Carrilo

A sessão foi marcada para às 14 horas, uma quarta-feira de junho, num dia frio, comum em São Paulo nesta época do ano. As escadas dão acesso à várias salas, entre elas, uma cujas paredes estão pintadas num tom suave de salmão. Poucos móveis, poltronas confortáveis, boa iluminação. O ambiente carrega uma energia indefinida, que talvez possa ser reduzida na palavra harmonia. O paciente senta e sente-se confortável; a voz que escuta tem um timbre muito doce e suave. Tão logo ele entra em sintonia com este clima, cai num estado espontâneo de relaxamento. O diálogo é contínuo, e os problemas que o atormentam são detalhados, relatados e analisados imediatamente. A voz que escuta apenas o conduz às suas respostas.

Revivida em detalhes, essa cena pode ser semelhante a um sonho – tem tudo a ver, pois a palavra grega Hipnose é originária do deus do sono, Hypnos. Mas a situação descrita, abstrata a principio, ilustra na verdade o começo da soluação para problemas das mais variadas causas. Ainda mais agora que a Hipnose foi aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e passa a fazer parte do currículo médico. Para o presidente da Sociedade Médica de São Paulo, doutor Joel Priori Maia, a Hipnose ganhou mais credibilidade junto à população, agora, “e poderá ser utilizada por diversos profissionais, revolucionando a saúde pública”.

Segundo o psiquiatra, entre outros benefícios, a Hipnose poderá ser usada no tratamento de problemas clínicos ou psicológicos, processos que denomina de Hipniatria (médico), Hipnoterapia (psicólogo) e Hipnodontia (dentistas). A Hipniatria ajuda a combater desde dores no parto, passando por problemas dermatológicos, até doenças psicossomáticas. A Hipnoterapia elimina fobias e medos em geral, os vícios do cigarro e do álcool, e a baixo estima; além de se constituir num tratamento eficaz para crianças hiperativas. Nos casos da Hipnodontia, estão relatados tratamento de canal, sem o uso de anestesia e sem sangramento.

Estado de Transe
Através dos tempos, existem inúmeras explicações e citações sobre esse tema, entre elas, textos com mais de 4500 anos. Eles relatam como os sacerdotes da mesopotânia usavam o transe para fazer diagnósticos, sempre com o objetivo de sanar problemas e doenças. Ou seja, desde o princípio, havia uma associação da Hipnose com a busca constante pela cura. Mas o que vem a ser Hipnose? Um estado de profundo e total relaxamento; estado mental semelhante ao sono, provocado artificialmente, no qual o indivíduo continua capaz de obedecer às sugestões feitas pelo hipnotizador; um estado de sonolência, abrangendo qualquer procedimento causado pela sugestão de um hipnoterapeuta.

Poderiam ser também as mudanças no estado físico e mental, que produzem alterações perceptivas, comportamentais, sentimentais, do pensamento e da memória. Um estado de transe, que segundo o hipnoterapeuta Bayard V. Galvão, não vem a ser aquele denominado por crenças religiosas. “Não tem nada a ver com espírito. São as memórias do indivíduo, o transe é um estado altamente focado de atenção.” E acrescenta: “Só entra em transe quem focar num ponto que lhe é agradável. O que não fizer parte do seu foco não existe.” Esse transe poderá ser induzido pelo próprio sujeito de forma consciênte ou não (um devaneio), por algo exterior a ele ( num filme), ou por ambos (como um contexto psicoterapêutico). E Galvão esclarece: “O que acontece num transe é que as noções do interno e externo do indivíduo podem perder uma referencia em maior ou menor escala, vivendo-se a realidade apontada pelo transe naquele momento.”

Num situação de transe, as palavras ganham um maior impacto ao serem ditas. Uma das funções de um transe, segundo Galvão, é vivenciar aquilo que é falado, pois de uma certa maneira “todos já experimentaram uma forma de Hipnose em alguns momentos da vida”. Um a criança jogando videogame diante da TV não atende aos chamados da voz da mãe para tomar banho ou comer; dirigir um automóvel rumo ao trabalho, passando por placas ou ruas sem tomar consciência, um filme, uma música. “Breves momentos de inconsciência, e entregar-se, ficar absorto no que estava fazendo, são indícios de que você já vivenciou um hipnose”, explica o psicólogo.

Auto-Controle
Sem contra-indicação, efeitos colateral, dependência ou agressão ao paciente, a Hipnose é um tratamento definido como um estado alterado de consciência, mas sem perder a consciência. O paciente fica ciente de tudo o que está acontecendo em cada momento, e ouvirá tudo o que o hipnoterapeuta estiver dizendo. A vontade do paciente não enfraquecerá ou mudará; de alguma forma estará, tudo sob controle. E, caso o paciente deseje por qualquer motivo sair do estado de transe, poderá fazê-lo abrindo os olhos. Nada é feito contra a vontade do paciente, pois ele é quem mantém seu próprio controle. Na verdade, a fala não acontece por imposição do hipnoterapeuta. O paciente começa a falar e a revelar informações por livre e espontânea vontade.

Numa Segunda fase, acorre a rememoração, quando o paciente entra em contato com fatos que possam ter causado traumas ou que se estão refletindo em sua vida atual. A programação destes fatos será a terceira fase, ligada, por sua vez, à fase final, que se resume na reestruturação da mente. Neste período, será trabalhada a mente para novos caminhos de pensamentos, e para eliminar todas as culpas, traumas, medos ou qualquer outro tipo de problema. “Um tratamento elaborado pela Hipnose proporciona melhoras gradativas e, às vezes, imediata, com custos e prazos menores que os exigidos por outras técnicas terapêuticas”. Conclui Galvão.

Fonte: Revista Kalunga

Hipnose pode ajudar na cicatrização diz um estudo de Harvard



The Harvard Gazette disponibiliza um artigo online a respeito do uso da hipnose para auxiliar a cicatrização mais rápida de feridas cirúrgicas. Uma parte do texto é reproduzida a seguir. O texto original pode ser encontrado aqui. Marie McBrown foi convidada a testar se a hipnose a ajudaria ou não a curar as cicatrizes de uma cirurgia nos seios. Marie (nome fictício) e dezessete outras mulheres submeteram-se a uma cirurgia de redução dos seios.


Esta é uma operação comum para mulheres cujos seios são grandes o bastante para causar dores nas costas e nos ombros, interferir nas tarefas de rotina ou causar problemas sociais e psicológicos. A dor e o processo de cura desta cirurgia são bem conhecidos. Uma equipe de pesquisadores chefiados por Carol Ginandes da Harvard Medical School e Patricia Brooks do Union Institute de Cincinnati queriam determinar se a hipnose poderia apressar a cura das feridas e a recuperação.

"A hipnose tem sido usada na medicina ocidental por mais de 150 anos no tratamento de várias condições, desde a ansiedade até a dor, para aliviar a náusea causada pela quimioterapia ou para melhorar o desempenho esportivo," afirma Ginandes. Uma lista de aplicações da hipnose fornecida por ela inclui o tratamento de fobias, pânico, baixa auto-estima, insônia, disfunções sexuais, stress, tabagismo, colite, verrugas, dores de cabeça, e hipertensão.
"Todos estes usos práticos podem ajudar uma pessoa a se sentir melhor," continua Ginandes. "Também estou interessada no uso da hipnose para ajudar as pessoas a melhorar fisicamente. Isto significa usar a mente para fazer mudanças estruturais no corpo, para acelerar a cura ao nível tecidual."

Há quatro anos, Ginandes e Daniel Rosenthal, professor de radiologia da Harvard Medical School, publicaram um relatório de seu estudo do uso da hipnose para acelerar a regeneração de ossos quebrados. Eles recrutaram doze pessoas com tornozelos quebrados e que não necessitaram de cirurgia, tendo recebido o tratamento normal no Massachusetts General Hospital, em Boston. Ginandes hipnotizou metade destes voluntários uma vez por semana durante doze semanas, enquanto a outra metade recebia apenas o tratamento normal. A mesma doutora aplicou o gesso e outros cuidados, e o mesmo radiologista tirou radiografias regulares para monitorar o progresso da cura. Um radiologista que avaliou as radiografias não sabia quais os pacientes que se submeteram à hipnose.

Aqueles que foram hipnotizados curaram-se mais rapidamente do que aqueles que receberam apenas o tratamento convencional. Seis semanas após a fratura, aqueles no grupo da hipnose apresentaram uma cura equivalente a de oito semanas e meia.

Fonte: .harvard.edu
Tradução: sbhh

sexta-feira, 25 de março de 2011

Causas emocionais da obesidade

A gordura  é o casulo que a pessoa cria, inconscientemente, para se proteger e se esconder dos problemas externos.  Pessoas muito sensíveis, que se deixam magoar com facilidade, buscam se proteger atrás da gordura, que representa a maciez de um abraço.

Muitas vezes a gordura é uma forma convenientemente usada para se conseguirem certos benefícios, como atrair a compaixão de outras pessoas, deixar de trabalhar naquilo que não gosta, escapar de certas obrigações que limitam sua liberdade e até mesmo testar o amor e a fidelidade do cônjuge. Mais uma vez vemos que o perigo está em nossa mente, não no mundo em que vivemos, e nem nos alimentos que comemos.
Faça um ”regime” nos seus pensamentos e limpe toda essa amargura. Viva tranqüilamente e sem se sentir ameaçado. Ame profundamente a todos e você perceberá que, como resposta, receberá mais amor dos outros. Saia já desse casulo e participe ativamente do mundo, de peito aberto e acreditando que você está sendo protegido pelas mãos do Grande Pai.

Pare de guardar mágoas e ressentimentos. Chega de discutir gratuitamente com as pessoas, pois cada uma delas luta pelas suas razões e você pode sair machucado. Apenas aja com docilidade e poder e não deixe que as diferenças de vida e opiniões o aflijam.

Atenção: quanto mais você ”engolir” e guardar mágoas, mais seu corpo engordará.
Para você superar definitivamente essa dificuldade de emagrecer terá de compreender que toda expectativa gera frustração. Por isto não fique esperando acontecer o que você deseja, nem queira que as pessoas sejam como você ou lhe dêem aquilo que tanto você almeja. Saia já dessa postura de vítima e perceba o tamanho do seu próprio poder. Ninguém é responsável pelas suas fraquezas ou fracassos. Tudo depende exclusivamente da sua postura diante da vida e dos acontecimentos. Passe a agir como adulto e mostre seus verdadeiros interesses a quem é importante para você. Tenha coragem de mudar seu comportamento e ser você mesmo. Se você não está encontrando em sua memória nenhum registro pelo menos semelhante ao que estou dizendo, certamente é porque seu subconsciente abraçou com muita força alguma mágoa antiga e continua a protegê-la, pois para ele não existe ”tempo”. Tenha calma porque com ele (o subconsciente) nós devemos agir despreocupadamente e mandar mensagens positivas e constantes, até que ele perceba que as defesas contra o passado são inúteis.
As mensagens que você pode enviar ao seu subconsciente são pensamentos e condutas contrárias ao que está vivendo hoje. O importante é sair logo desse círculo vicioso que ainda está impresso em sua mente inconsciente.

Pratique um esporte ou faça exercícios. Torne seus pensamentos mais ativos e coloque em prática as suas decisões. O mundo espera você para agir com ele. Transforme essa gordura em energia, sacudindo a poeira do passado e olhando para frente.  Rápido!  No começo tudo pode parecer difícil, mas depois você amará os novos hábitos e a sua nova personalidade.


Vamos, acorde! Organize-se! Tudo depende só de você!  Chega de araimar pretextos pois isto só vem provar que você está realmente tendo alguma conveniência em ser gordo. Busque o que você deseja, sem prejudicar sua saúde e sua beleza. E, definitivamente, tente compreender que quando nos magoamos com algo é porque estamos sendo egoístas em querer que tudo seja do nosso jeito. Liberte-se dessa tendência e aceite as pessoas como elas são. Seja você mesmo e não se permita pensamentos negativos. Eleve-se a cada dia com bons sentimentos em relação à vida e cresça cada vez mais dentro da evolução espiritual, sem mágoas, sem medos, nem desconfianças. Quanto mais você se aproximar de Deus, mais se sentirá confiante e feliz. De outra forma, você estará cada vez mais longe d’Ele.

Extraído do livro Linguagem do Corpo - Aprenda a Ouví-lo Para Uma Vida Saudável
Autora: Cristina Cairo

O mestre da paciência

Conta à lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário. 

Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre da paciência. O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. 

No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se. Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.

O mestre perguntou:

- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?

- A quem tentou entregá-lo. Respondeu um dos discípulos.

- O mesmo vale p/ a inveja, a raiva e os insultos. Quando não aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. 

A sua paz interior depende exclusivamente de você.

As pessoas não podem lhe tirar a calma.....a não ser que você permita!!!!!!

Meditação no Globo Reporter


"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda".

terça-feira, 22 de março de 2011

A coragem de enfrentar seus medos

Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.

Um mágico teve pena dele e o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em pantera.

Então ele começou a temer os caçadores.

A essa altura o mágico desistiu. Transformou-o em camundongo novamente e disse:

- Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo. É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, é sim a capacidade de avançar, apesar do medo; caminhar para frente; e enfrentar as adversidades, vencendo os medos... 


É isto que devemos fazer. Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos.

Senão, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas...
Autor desconhecido

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hipnose no tratamento das causas emocionais da obesidade

 Hipnose para ser mais leve

Fonte: Tribuna do Norte
Publicação: 27 de Fevereiro de 2011 às 00:00
Isaac Ribeiro - Repórter

Já parou para pensar que o problema de sobrepeso que você está enfrentando hoje, essa sanha por comida, essa gula exacerbada, tem ligação com traumas e sentimentos torpes ligados à sua primeira infância, talvez até mesmo com os primeiros momentos de amamentação? Pois é, a obesidade também está ligada a problemas emocionais, a sentimentos estranhamente ocultos em nossas entranhas. E eis que a hipnose clínica surge como forte aliada nessa luta contra o viés da balança.

Muitas vezes o descontrole alimentar de hoje está ligado a experiências mal-sucedidas, pequenas frustrações, que tivemos na hora de nos alimentarmos na infância; brigas familiares à mesa, comidas as quais fomos forçados a engolir, ou até mesmo frieza e falta de carinho materno na hora de nos dar de mamar.

foto: Alex Régis

Psicoterapia usa recursos da hipnose clínica para descobrir no inconsciente dos pacientes pistas que ajudem a elucidar a origem dos transtornos alimentares

Os céticos podem até desacreditar, mas a hipnose clínica é um ramo da psicoterapia e são vários os casos de resultados positivos. No Instituto Reichiano de Psicoterapia, em Natal, o psicoterapeuta Ronnie Petterson Soares, especializado em hipnoterapia ericksoriana, desenvolve esse trabalho e contabiliza resultados positivos com pacientes antes queixosos de sobrepeso ou má-educação alimentar. 

Com o auxílio da hipnose clínica, ele busca descobrir, junto com o paciente, pistas que elucidem o comportamento voraz à mesa e fora dela. Durante o transe hipnótico, ele induz a pessoa a buscar em seu inconsciente momentos de prazer com a comida, quando era saudável comer bem, sem culpa e sem gula; ou ainda encontrar pântanos escuros da mente onde a alimentação aparece como vilã. 

O tratamento das causas emocionais do sobrepeso desenvolvido por Ronnie é chamado de Viver Leve, e visa dar suporte afetivo e motivacional ao paciente necessitado de uma reeducação alimentar e de outras mudanças comportamentais. “Mas é importante dizer que a hipnose em si não cura nada. Ela é apenas uma ferramenta a ser usada”, enfatiza o terapeuta.

Ele conta ser sua clientela  basicamente feminina, com idades entre 25 e 60 anos. “Os homens correm de terapia”, diz. “Muitos dos meus pacientes não são obesos, mas querem resolver questões emocionais.”

Uma vez por mês, o Instituto Reichiano realiza uma oficina de meditação solidária e auto-hipnose. As sessões são realizadas aos sábados, das 8h às 11h, e a taxa cobrada é a doação de uma cesta básica a ser doada a instituições de caridade. Os interessados podem ligar para os telefones 3206-1765 e 8822-8014.


Transe hipnótico pode levar paciente à origem do problema


A reportagem do TN Família acompanhou uma demonstração de hipnose feita por Ronnie Petterson com a secretária do Instituto Reichiano de Psicoterapia. O terapeuta realizou dois tipos de indução; uma de relaxamento e de conforto, e uma segunda onde foi trabalhada a relação dela com o alimento e o afeto. 

O ambiente onde acontece a sessão de transe é calmo, silencioso, confortável e todo em tons claros. Ronnie inicia um discurso introdutório com a voz suave e pausada. De início, ele trabalhou com algumas lembranças de Ana Paula, a secretária, com relação à alimentação. Quais seriam essas lembranças? Quais seriam os prazeres que ela já teve com relação ao alimento? Que tipo de sentimento e emoção ela associa ao alimento? 

Para induzi-la a esses questionamentos, Ronnie Petterson cita situações próprias de quando se é criança, como sentar diante da tevê pra assistir a desenhos animados, diante de uma grande fatia de bolo de chocolate, colocando-o na boca e sentindo a doçura dos tenros tempos de criança.

“Voltar a ser criança de novo e voltar a sentir aquele prazer de se alimentar, de comer bem, de sentir prazer pela comida; porque quem come muito não sente prazer pela comida”, diz o hipnoterapeuta. De acordo com ele, alguns pacientes não conseguem associar uma lembrança boa com a questão alimentar; talvez por associar o momento de comer a alguma briga familiar, algum problema, talvez por a comida não ser gostosa, não ter sido feita com carinho. 

“Então, essa é uma forma de eu diagnosticar a relação que o paciente vai ter com a comida e para que ele possa, nos dias atuais, resgatar o prazer de comer. Como eu falei: quem come muito, não sente prazer. E você percebe que a comida vai preenchendo no seu corpo, na sua vida, que antes estava vazia”, ele vai falando para a paciente em transe diante dele.

“Às vezes a gente tem algum sentimento, como faltasse alguma coisa na vida da gente, sentimentos que a gente não fala para outras pessoas. E nesse momento (do transe) é você com você mesmo”, comenta.

A quase tudo, Ana Paula, de olhos sempre fechados, faz sinais de concordância com a cabeça. Segundo Ronnie, quando o paciente está afirmando com a cabeça significa que de alguma forma a sugestão hipnótica está fazendo efeito dentro do universo consciencial do paciente. “Não existe essa história de que uma sugestão vá agredir o paciente. Se ela não gostar da sugestão, ela vai balançar a cabeça negativamente e não vai escutar.”


Doutorado em hipnose contra a obesidade


A tese de doutorado do médico e professor universitário Jorge Boucinhas versou sobre o emprego da hipnose no tratamento da obesidade, isso no final da década de 1970, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para tanto, ele tratou de 100 pacientes, durante seis meses, metade medicada com anfetamínicos e outra parte sem esse recurso, tratada com recursos hipnóticos. Os resultados, segundo ele, foram positivos, nos dois casos; o que atestou a eficácia do método.

“Não houve diferença significativa entre os tratados por  hipnose e os tratados com medicamentos, o que convalida, segundo a metodologia científica vigente, a validade da hipnose como terapêutica para o excesso de peso”, relata Boucinhas.

De acordo com o médico e terapeuta, os usos clínicos mais frequentes da hipnose na prática médica cotidiana são casos de doenças psicossomáticas, em especial asma, impotência e frigidez sexuais, e ainda dispepsia crônica (dificuldade na digestão de alimentos) e gastrites, enurese noturna infantil (xixi na cama), certas enxaquecas, urticária, obesidade e dermatites de causa psicogênica.

“Tive muitas oportunidades de empregar a hipnose no começo da minha prática, com as finalidades citadas, mas confesso que com a melhoria da prática da Acupuntura e da Homeopatia, mais rápidas e práticas,  ela passou a um plano terciário”, diz o médico, que é um dos precursores do assunto em Natal.   


bate-papo: Ronnie Petterson  » Psicoterapeuta


Como é o tratamento com a hipnose clínica?
É importante falar que a hipnose em si não cura nada. Ela é uma ferramenta que pode ser usada tanto pelo médico quanto pelo profissional da área de dentística e terapeutas também. Nós, enquanto psicoterapeutas, estamos interessados em alguns fenômenos hipnóticos que podem ajudar no processo da psicoterapia. Dois exemplos que eu posso dar são regressão de idade e a pseudo-regressão. Existe uma diferença entre elas. Na primeira, o paciente vai voltar a determinada idade e  vai falar, pensar e se sentir como  realmente tivesse aquela idade. E ele não vai lembrar de nada quando ele voltar. Então, eu posso dar algumas sugestões hipnóticas para que o inconsciente daquele paciente vá lembrando daquilo ali, à medida em que ele vá podendo aceitar determinadas coisas que viu. É uma forma de protegermos o paciente. Na pseudo-regressão, você vai ter uma lembrança de quando tinha três anos de idade, por exemplo. Mas você vai saber que tem, digamos, 32 anos de idade. Só que você vai lembrar a intensidade, vai vivenciar aquele sentimento como ele estivesse acontecendo aqui e agora. A gente costuma dizer que para o inconsciente não existe tempo. Então, algo que aconteceu há 30 anos muitas vezes continua agindo inconscientemente como tivesse acontecido ontem.

Isso também vale para medos e traumas?
Sim. Medos, traumas, emoções. As  pessoas têm idéia que um trauma é algo que aconteceu pontualmente num dia específico. E às vezes um trauma é algo que acontece repetidamente, com uma intensidade menor. Exemplo: um filho que não consegue encontrar um olhar amoroso da mãe; ou então o filho que no momento da amamentação a mãe estava depressiva, com raiva, ou não conseguiu dar afeto a ele naquele momento. Então, ele vai registrar isso em nível não só cerebral, mas corporal mesmo. Ele vai associar comida a trauma, comida a raiva. E ainda tem os pacientes que vão sendo retraumatizados ao longo do tempo. Vou dar um exemplo: você carrega um trauma de não receber esse olhar afetuoso da mãe e, muitas vezes, na idade adulta você procura parceiros ou amigos que tenham aquele mesmo olhar  frio que sua mãe tinha. Aí, você se pergunta: “Por que nunca dei certo nos relacionamentos?” “Por que  estou sempre em busca de alguma coisa que não consigo encontrar?”. Então, o meu principal foco de trabalho não é se o paciente vai emagrecer ou não. Não falo em emagrecimento. 

Mas então qual seria o foco?
Eu quero que você possa encontrar uma forma leve de lidar com sua vida, uma forma leve de lidar com sua saúde, de lidar com suas emoções. E a única forma leve que nós temos de aprender a lidar com as emoções é sentindo as emoções. Hoje em dia está uma corrida grande de fazer coisas; eu vou ser um bom profissional; eu vou fazer bem isso aí, eu vou bem aquilo ali. E fica pouco tempo para sentir. Tem uma paciente minha, que está comigo há um ano, que ela disse nunca antes na vida dela, ela está com 40 anos hoje, ter parado em sua casa, desligado a televisão, desligado o telefone, deitado numa rede para ficar pensando em sua vida, sentindo suas tristezas, suas raivas.

Há um diálogo entre a hipnose clínica e outras especialidades médicas, como a nutrição, por exemplo?
Em alguns dos trabalhos desenvolvidos em parceria com nutricionistas, com uma delas a gente sentava para discutir casos. Tanto eu passava um pouco da área de psicologia, a parte emocional, quanto ela me fazia entender um pouco o que estava acontecendo até fisicamente com o paciente. Acho até engraçado que a minha clientela começou a chamar de “nutricionista diferente”. Muitos profissionais de nutrição chegam aqui no consultório falando: “Puxa, eu acho que eu deveria ter aprendido isso na universidade, mas não era o foco da formação em nutrição.” Todos os profissionais da área de saúde deveriam aprender conceitos simples da psicologia, como empatia, rapport (confiança mútua), transferência, contra-transferência... Vou dar um exemplo de transferência negativa: o paciente olha para o profissional da saúde e vai ter raiva no primeiro momento. Um profissional da área de saúde que não está preparado para lidar com isso vai achar que o paciente está com raiva dele. Mas na verdade, ele está com raiva da autoridade, que tem a ver com as lembranças da vida dele com relação a figuras de autoritarismo. Então, esse trabalho também em conjunto com outros profissionais eu acho importantíssimo — do psicólogo com o médico, do médico com a nutricionista. É onde você vai ver que entre cada área de conhecimento — exemplo, entre a psicologia e a nutrição — existe uma vala que não está sendo estudada nas universidades.

 

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